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segunda-feira, 7 de abril de 2014

O Dízimo Ainda Está em Vigor?


Um dos assuntos polêmicos no meio religioso e que causa discussões acaloradas é sem dúvida o dízimo. Está ele em vigor ainda hoje? A igreja é obrigada a cobrar e os membros a pagar o dízimo? Se não for observado estará o homem roubando de Deus, merecendo, por conseguinte, repreensão ou castigo divino?

O que o Novo Testamento diz a respeito?
1. Não há mandamento no NT estabelecendo o dízimo.
2. O Salvador Jesus, a chave hermenêutica de TUDO, não o confirmou muito menos deixou ou apontou qualquer instituição ou pessoa com autorização para exigi-lo.
3. Jesus foi indiferente quanto ao dízimo dos escribas e fariseus que davam a décima parte até das coisas insignificantes, mas não deixou de adverti-los sobre o efeito alienante de uma prática religiosa destituída de justiça, misericórdia e fidelidade (Mateus 23.23).
4. A viúva pobre ofertou todo dinheiro de que dispunha, recebendo elogios do Mestre por não ofertar a sobra (Marcos 12.44).
5. Zaqueu sendo transformado pelo evangelho do Salvador resolveu dar a metade de seus bens aos pobres, não ao Templo ou às sinagogas (Lucas 19.8).
6. Os novos convertidos de Atos repartiam tudo o que tinham com os necessitados e os apóstolos que trabalhavam no serviço de evangelização (Atos 2.45; 4.32-37).
7. Os cristãos de Macedônia contribuíram para a causa do evangelho na medida de suas posses e até acima delas (2 Coríntios 8.2-4).
8. Em 2 Coríntios 9.7 o apóstolo Paulo aconselha que "cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria" 
Portanto, no ministério do Salvador Jesus e dos apóstolos não encontramos confirmação do dízimo praticado no judaísmo.

Como funcionava o dízimo no Antigo Testamento?
1. Fazia parte do culto do povo judeu, sendo exigência da antiga aliança. Era destinado exclusivamente para um povo específico.
2. A tribo de Levi não recebeu terra em Canaã, porque foi incumbida do trabalho do culto judaico. Por isso os dízimos em grande parte destinavam-se para o sustento do povo dessa tribo.
3. A décima parte de toda a produção dos israelitas destinava-se para o funcionamento da “Casa do Senhor” (Tabernáculo e, depois, o seu substituto, o Templo): a) sustento dos levitas e suas famílias; b) manutenção do Templo; c) ajuda aos necessitados.
4. O dízimo foi estabelecido por causa da “dureza do coração” humano. Não fosse assim, Deus não teria imposto taxa alguma para os israelitas; as ofertas seriam voluntárias e em quantidade mais que suficiente para o sustendo do culto judaico e tudo o que o envolvia.
5. Inexistia qualquer barganha com a oferta do dízimo. A promessa em Malaquias (3.6-12) fazia parte da antiga aliança e não dizia respeito a nenhuma troca ou compra de favores divinos. A questão era a obediência ao pacto estabelecido entre Deus e o povo judeu, não simplesmente a entrega da décima parte dos rendimentos em determinado lugar.
Portanto, o dízimo no AT fazia parte do pacto estabelecido entre Deus e um povo específico, chamado povo judeu ou israelita.

Como deve funcionar hoje?
1. No evangelho, que é o bom anúncio de salvação por graça, ninguém deve absolutamente nada a ninguém. Nem para Deus, nem para o diabo, nem para qualquer pessoa ou instituição religiosa.
2. Não há, como nunca houve nem haverá, barganha com Deus. A graça é de graça mesmo e Deus não é barganhista.
3. Quem frequenta alguma instituição séria e comprometida com o evangelho deve contribuir, visto que ela não sobrevive sem recursos. A contribuição há de ser significativa, livre, voluntária e de acordo com a possibilidade de cada um. A porcentagem fica por conta da quantidade de evangelho no coração.
4. Em conformidade com os ensinamentos de Cristo o ideal seria fazer para comer, vestir, morar e atender outras necessidades básicas, e a outra parte socorrer as necessidades do próximo. A porcentagem, então, se mostraria o assunto menos importante no processo: 5, 10, 20, 40, 50 por centro, ou mais.
No evangelho é dessa forma. Não é separar míseros 10% para uma instituição e empregar os outros 90 para saciar a lascívia consumista do ventre carnal.
Se levarmos a sério o espírito do evangelho de Cristo, somos obrigados a concordar que uma parte de dez sempre será sobra e acaba produzindo alienação. Se Deus barganhasse é certo que não estabeleceria uma porcentagem tão pequena, a não ser que fosse um Deus bem barato.

Para refletir:
Considerando a importância que o dízimo ganhou dentro da religião, principalmente no que diz respeito à ideia de barganha infundida na mente dos fieis pela sua prática, lanço algumas questões para reflexão.
1. Se o dízimo atrai as bênçãos de Deus, principalmente na área financeira, por que a quase totalidade da riqueza mundial está nas mãos de pessoas que não dizimam nem frequentam igreja ou qualquer instituição religiosa?
Mateus 5.45: A graça de Deus ”faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos”
2. O dízimo pode tornar-se uma forma de alienação religiosa: Alguém pode ser um dizimista meticuloso das coisas mais insignificantes, mas negar os preceitos mais importantes da lei.
Mateus 23.23: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade” 
3. Qual instituição Jesus criou ou qual pessoa ficou por Ele autorizada a exigir qualquer tipo de “pedágio” para se relacionar com Deus?
Mateus 10.8: “Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça daí”
4. Por que existem tantos ministros pregando preceitos da antiga aliança, quando o NT diz tão claramente que devemos ser ministros da nova aliança e não nos submetermos novamente a novo jugo de escravidão?
2 Coríntios 3.6: Deus “nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica”
Gálatas 5.1: “para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão”
5. Por que há tanto interesse na prosperidade material supostamente advinda do dízimo se o Salvador e o NT advertem acerca do perigo das riquezas e apontam um reino que não é desse mundo?
1 Timóteo 6.6-10: “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores”
Mateus 19.23-24: “disse Jesus a seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reio dos céus. E ainda vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reio de Deus”
João 18.36: “Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo”
Mateus 6.19-20: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam”
Mateus 6.20: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus”

Considerações finais
Para quem de fato compreende o significado do evangelho de Cristo o dízimo é questão de somenos importância. Na nova aliança do evangelho não há discussão sobre décima parte de nada, mas, sim, a respeito da totalidade de tudo em prol do reino de Deus.
Em Cristo não deveríamos entregar apenas dez por cento para uma instituição, mas nos entregarmos por inteiro na causa do evangelho da vida eterna.
E para agirmos dessa forma a prescrição da lei não funciona; não funcionou no AT e nunca funcionará, porque no amor não há imposição.





Nele, amém.

Um comentário:

  1. Que Deus continue te abençoando Grimaldo na luz do Evangelho. Amém.

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