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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A Religião Que Piora as Pessoas

No bairro havia um homem muito mau. Era viciado em drogas, traficante, beberrão, ladrão, assaltante, promíscuo, depravado e sem qualquer temor a Deus e respeito ao semelhante. Tudo o que fazia e realizava tinha como finalidade satisfazer seus interesses egoístas e criminosos.
Na localidade era conhecido como um ser irrecuperável e muito temido pelas pessoas. A vida dele consistia em cometer crimes e ser preso pela polícia.
O grau de degeneração moral desse homem era tão alto que ninguém, nem mesmo ele próprio, acreditava em recuperação e melhora. Todos concordavam que era um caso sem solução.
Mas o que parecia improvável, um dia aconteceu. Correu no bairro a notícia de que o devasso criminoso irrecuperável havia se convertido e estava frequentando uma igreja. Tinha deixado as drogas e o crime, não bebia mais, não frequentava mais lugares profanos e havia cortado o relacionamento com as pessoas de má índole. Sua vida agora era pautada pela devoção a Deus e busca da santidade.
Os cidadãos da cidade ficaram por demais aliviados com a mudança de vida daquele criminoso irrecuperável, porque agora não eram mais ameaçados por sua periculosidade. Não só a comunidade, mas também a polícia e a justiça agradeceram. A família, nem se fala.
A vida do ex-criminoso se resumia agora a frequentar o trabalho e a igreja. Era um exemplo vivo de transformação moral. O homem mau e iníquo transformou-se num homem bom e reto. Num modelo de comportamento moral que a lei e os bons costumes exigem da conduta humana. O que todo mundo queria e exigia aconteceu com aquele homem: mudança de vida.
Pois bem.
E se alguém afirmasse que o estado desse homem se tornou pior depois da transformação moral ocorrida em sua vida? Seria possível isso acontecer?
Pela lógica da razão humana tal afirmação soaria como algo absolutamente sem sentido, totalmente contrário a realidade dos fatos. Como um homem que abandonou uma vida dissoluta e criminosa para tornar-se exemplo e modelo de boa conduta pode agora estar em pior situação?! Afinal de contas, ele ajustou seu comportamento exatamente como queriam as pessoas que o rodeavam.
Por mais incrível e inacreditável que possa parecer, é exatamente assim que acontece com determinadas pessoas. A lógica da nossa justiça pessoal não consegue entender nem aceitar que seja verdade, mas, independentemente do quanto possa parecer ilógico, Jesus afirmou categoricamente o fato e acusou os fariseus de serem protagonistas no processo de tornar as pessoas piores.
São palavras do próprio Salvador:
Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês atravessam os mares e viajam por todas as terras a fim de procurar converter uma pessoa para a sua religião. E, quando conseguem, tornam essa pessoa duas vezes mais merecedora do inferno do que vocês mesmos. (Mateus 23.15 - NLTH)
De fato uma religião baseada em esforço humano e destituída da graça da cruz de Cristo torna as pessoas piores, apesar da aparência de piedade que ela possa produzir. O exterior é mudado para melhor, ao passo que o interior é transformado para pior.
O homem da história quando estava lá no lamaçal do pecado cometendo todo tipo de devassidão moral ainda tinha um pouco de amor e alegria no seu coração. Apesar da conduta reprovável, ainda conseguia em dados momentos olhar para o semelhante com olhos de misericórdia e tratá-lo como igual. Mas depois de ter sido feito seguidor de uma religião, qualquer resquício de graça e amor do seu coração foi retirado e apagado.
Dessa maneira acontece com a religião das obras. Ela transforma o estado espiritual das pessoas para pior, porque afasta a graça de Deus do centro e no seu lugar coloca os méritos pessoais. E o ser humano sem graça é um tirano impiedoso sem misericórdia. Matar e roubar, usar drogas e prostituir, ou cometer qualquer ato moralmente reprovável, nem se compara com os efeitos nefastos produzidos por um coração carregado de justiça própria: o afastamento de Deus.
A religião das obras diz: você é bom, você merece, você é o melhor, você é o primeiro, você é o mais importante, você decide seu próprio destino. São afirmações que alimentam e exaltam o ego humano. Já a religião da graça de Deus afirma: sem a justiça de Cristo você não é ninguém.
A religião das obras baseia-se em sacrifícios e comportamentos, ao passo que a religião da graça fundamenta-se exclusivamente na obra vicária de Cristo.
Jesus mostrou que os comportamentos humanos por mais radicais que possam ser não passam de comportamentos humanos. Que eles de fato mudam o exterior das pessoas, mas não o interior. Que o coração humano só pode ser mudado verdadeiramente pelo poder de Deus.
A religião das obras é um perigo, porque pode piorar as pessoas e afastá-las ainda mais de Deus!
A história contada aqui é hipotética, mas acontece todo dia nos arredores do mundo. No tempo de Jesus acontecia. Acontecia com as pessoas menos suspeitas.

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. (Efésios 2.8-9)


Um comentário:

  1. Já li esse texto várias vezes e realmente é verdade a narrativa. A maior prova disso são nossas surpresas frente aos que se dizem "convertidos e transformados" e que na prática não vivem o que pregam. A IRONIA é um dos 10 maiores pecados que imperam no meio eclesiástico, infelizmente. Mas tem que ser assim, pois somos motivados, embora negativamente, a termos mais "saudades" do porvir!

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