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domingo, 5 de agosto de 2012

Perdão, Amor e Graça

Texto base: João 21-1-25

 O registro bíblico do capítulo 21 do evangelho de João mostra como o Salvador Jesus trata com os pecadores. O elemento fundamental e norteador do relacionamento de Deus com suas criaturas é o amor.
Na oportunidade os discípulos de Jesus estavam numa praia, provavelmente um lugar maravilhoso, sentiam o vento, a brisa, o ar. Eles respiravam o cheiro da água, o cheiro do mar. E o mar de Tiberíades onde estavam não era um lugar qualquer, era o mar da Galiléia, de água doce e o maior de Israel localizado numa das regiões mais férteis do mundo. Era de madrugada, o que tornava a brisa ainda mais suave.
Para surpresa dos discípulos ao retornarem da pescaria, Jesus estava na praia com um lanche preparado à espera deles. Provavelmente eles estavam com muita fome, pois passaram a noite pescando. Na ocasião Jesus já havia sido morto, a crucificação já acontecera e era a terceira vez que se manifestava a eles.
Depois da pescaria e de terem se alimentado, talvez Jesus tenha chamado Pedro para andarem juntos pela praia. Imagine o que não se passava no coração de Pedro, o discípulo traidor! Durante o ministério de Jesus Pedro foi o mais destemido e fiel dos discípulos, aquele que prometeu fazer tudo o que fosse preciso para defender seu Mestre, mesmo que lhe custasse a própria vida (Mateus 26.31-35). O privilegiado Pedro que presenciou os milagres do Filho de Deus (Mateus 4.23-24), que andou sobre as águas, aquele que prometeu amor eterno a seu Mestre, chegando até ao ponto de ferir um soldado em sua defesa (João 18.10-11). É de Pedro uma das afirmações mais inspiradoras da Bíblia: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo” (Mateus 16.15-20).
Por incrível que pareça foi esse mesmo Pedro que negou conhecer Jesus. Pedro negou ajuda, negou amparo, negou amor, negou sua promessa de estar sempre ao lado de Jesus. Pedro negou porque teve medo. Medo de perder sua reputação e medo de ser preso e morto como acabou ocorrendo com seu Mestre.
Esse mesmo Pedro, o Pedro traidor, o seguidor que havia negado seu Mestre, estava agora com os outros discípulos conversando com o Jesus ressuscitado. O Salvador então lhe perguntou: “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros?”. Pedro respondeu afirmativamente, recebendo de Jesus a missão de cuidar das “ovelhas” de Deus. Pela segunda vez Jesus perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?”. Pedro deu a mesma resposta e recebeu a mesma ordem do seu Mestre Jesus. Pela terceira e última vez, o Mestre perguntou a seu discípulo: “Simão, filho de João, tu me amas?”. Entristecido, respondeu como nas duas primeiras vezes: “Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo”. E Jesus agiu igualmente: “Apascenta as minhas ovelhas”, pondo fim ao assunto com o chamado: “segue-me”.
A tríplice afirmação de Pedro repara publicamente sua tríplice negação. As três confissões em contraposição às três negações funcionaram como uma espécie de compensação, liberando-o da culpa psicológica.
A história de Pedro também é a nossa história. Apesar de afirmarmos com grande convicção de que nunca negaremos o Salvador, a verdade é que, assim como Pedro, também o negamos naquelas ocasiões em que o nosso testemunho pode nos causar constrangimentos. Quem já não sentiu vergonha ou medo de testemunhar a fé diante de determinadas pessoas ou em certos ambientes?! E se nosso testemunho pudesse acarretar em morte, como acontece em alguns países hostis ao evangelho de Cristo?! E o que dizer da omissão de testemunho por causa das conveniências?!
O discípulo Pedro estava numa situação nada conveniente, pois sabia que o seu testemunho naquela circunstância também o poderia levar à prisão e morte. Apesar do pecado da traição, Pedro ainda se saiu melhor que os outros companheiros, porque foi o único que ainda tentava, mesmo de forma camuflada, seguir o Mestre numa situação de perigo para a sua vida.
Esse acontecimento na vida de Pedro nos transmite duas verdades principais.
Primeira: O perigo da autoconfiança.
Pedro pensava ser o que na verdade não era: infalível, perfeito, superior aos outros. Quando Jesus disse que todos os seus discípulos haveriam de fugir na hora de sua prisão, Pedro disse todo confiante: “Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim (...). Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei” (Mateus 26.33-35). A autoconfiança impediu Pedro de reconhecer sua propensão natural para o pecado, de que era falho e um ser humano normal.
Quando nos tornamos autoconfiantes dependemos menos de Deus, o orgulho instala-se em nosso ser e a partir daí passamos a agir como se fôssemos imunes ao pecado. A atitude de autoconfiança pode levar o cristão a relaxar na sua dependência da Palavra de Deus, meio pelo qual o Espírito Santo sustém e fortalece a fé e capacita a resistir às tentações da carne, do mundo e do diabo.
Não é à toa que o escritor de Provérbios registrou que “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda” (Cap. 16, verso 18).
Ao contrário, deve o crente ser humilde e estar ciente de sua propensão natural para o pecado, dependendo em todo o tempo da ajuda do Espírito Santo na sua jornada espiritual terrena. Assim se comportando dependerá mais da Palavra que procede de Deus e oferecerá menos risco à fé pessoal. 1 Coríntios 10.12 nos alerta: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia”.
A autoconfiança de Pedro o levou ao orgulho espiritual, que por sua vez o fez negar o salvador. Aparentemente Pedro mostrava ser o discípulo mais recomendado do grupo, no entanto foi o que teve a maior queda. A negação de tudo aquilo que antes havia prometido com tanta veemência cooperou para quebrar a soberba de Pedro, mostrando a fraqueza da carne e a necessidade de dependência humilde da Palavra de Deus.
Depois do acontecimento, Pedro nunca mais foi o mesmo. Ele próprio mais tarde escreveu, por inspiração divina: “no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça” (1 Pedro 5.5). Que transformação maravilhosa!
Segunda lição: O trato do Salvador com Pedro depois da negação indica a forma pela qual Deus se relaciona com o pecador: Graça.
Jesus não colocou Pedro sob disciplina eclesiástica, não pediu que fizesse penitência, não o suspendeu da santa ceia, não lhe ordenou que se batizasse novamente, não o colocou na frente do público para pedir perdão nem o acusou com sermões sobre o fogo do inferno com cheiro de enxofre. Jesus simplesmente perdoou.
Jesus não deixou de amar a Pedro por causa da traição. Assim também ele faz comigo e com você. Mesmo que falhamos, Jesus nunca deixa de nos amar, pois Ele é amor. Deus sabe que somos fracos e imperfeitos, que nossa melhor justiça é trapo da imundícia, que por nossas próprias forças não alcançamos a reconciliação para a vida eterna. É exatamente por saber de tudo isso que Cristo foi enviado ao mundo para nos salvar. Jesus falou com muita propriedade: “o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lucas 19.10), “eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo” (João 12.47), “Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores” (Marcos 2.17).
A missão do Salvador é perdoar e salvar pecadores; se a salvação fosse possível sem a graça divina, Jesus teria permanecido lá no céu sem precisar passar por tanto sofrimento e humilhação como passou aqui na Terra. Cristo veio por causa de pessoas como Pedro, por causa de pecadores como eu e você. Assim funciona a graça de Deus, um presente imerecido colocado a disposição de todos por intermédio da obra salvadora de Cristo Jesus.
Jesus disse a Pedro, e também a nós: “Segue-me”. Seguir a Cristo é percorrer pelo caminho aberto por Ele. Não devemos querer ir à sua frente, mas simplesmente segui-lo como nosso guia. O Salvador nos convida: Siga-me, fale do meu amor, ame, perdoe, creia, confie. Nós devemos percorrer por um caminho já aberto e percorrido por Cristo. Não fosse o Mestre, jamais poderíamos caminhar pelo caminho da vida eterna, porque ele não poderia existir.
Mesmo que seja difícil agir assim num mundo tão hostil ao evangelho, simplesmente ame e espalhe o amor de Jesus a todas as pessoas, indistintamente.
A atitude do Salvador Jesus para com o discípulo traidor revela a forma pela qual Deus se relaciona com o pecador: Amor, perdão e graça.

Na dependência do Espírito Santo, amém.

Por Michele Abeldt Schumacker (adaptação de Grimaldo Schumacker).

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