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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Mandamentos de Conduta Positiva

Não matarás, não adulterarás, não furtarás etc, são mandamentos de conduta negativa, aqueles que proíbem que se pratique determinada ação.
Ide por todo mundo e pregai o evangelho, amarás o próximo como a ti mesmo, tive fome e me deste de comer etc, fazem parte da lista de mandamentos de ação positiva, aqueles que exigem que se pratique determinada ação.
Por algum motivo temos a tendência de observar e valorizar mais os mandamentos de ação negativa. É comum se ver testemunhos de pessoas convertidas baseados quase que exclusivamente nas ações negativas. “Eu matava, eu furtava, eu bebia, eu fumava, eu fazia; agora não mato, não furto, não bebo, não fumo, não faço mais”.
Já em relação aos mandamentos que exigem ação positiva, os testemunhos não são abundantes. “Eu não amava o próximo, não visitava os enfermos, não ajudava o semelhante, não pregava o evangelho; agora eu amo o próximo, visito os enfermos, ajudo os necessitados, anuncio o evangelho“. Imagine algum convertido indo à frente do público para dar esse testemunho!
A questão que se levanta é a seguinte: Por que baseamos nossa fé mais nas coisas que são proibidas, e não naquelas que demandam uma ação positiva de nossa parte?
No tempo de Jesus acontecia a mesma coisa. Por isso que o Salvador ordenou: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas” (Mateus 7.12); “como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles” (Lucas 6.31).
Naquela época não somente os Judeus, mas também outros povos tinham em alto valor a “regra de ouro” que dizia: “não façais aos outros aquilo que não quereis que façam a vós”. Jesus Cristo, porém, inverteu a ordem dessa regra, transformando-a em conduta positiva como princípio de ação, ordenando assim que saiamos da nossa comodidade para praticarmos o bem.
A comodidade das regras de ação negativa consiste no fato de que elas não exigem esforços fora do comum para serem praticadas. Basta abster-se de determinadas práticas tidas como proibidas e mais nada! Cumprimento de regras dessa natureza é deveras cômodo, visto que o praticante pode permanecer inerte dentro do seu mundo particular e individual usufruindo do conforto que as posses proporcionam, sem se preocupar em ir até onde o necessitado está à espera de ajuda.
Tal estilo de vida reduz a justiça de Deus e contraria o exemplo do evangelho pregado e vivido por Cristo, que era, é e sempre será fundamentado no princípio da ação positiva da prática do bem. Em Lucas 10.37, Jesus disse a um profissional religioso: “Vai e procede tu de igual modo”; no evangelho de Mateus 25.35-36, o Mestre ensinou: “tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me”; ao jovem rico, aconselhou: “vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me”. São regras que nos obrigam a sair da fortaleza de nossa zona de conforto material e ir até onde os necessitados estão à espera do amor e da graça de Deus. Essas virtudes divinas devem se tornar reais na vida das pessoas por meio das ações positivas dos que crêem.
Os religiosos contemporâneos de Jesus não estavam acostumados ao estilo de vida ensinado pelo Mestre, visto que a religião deles se baseava mais nas ações proibidas pela lei. Ao inverter a “regra de ouro” daqueles religiosos, o Salvador estava dizendo: “Saiam da ‘gaiola institucional’ de vocês e vão levar meu amor ao mundo através da prática do bem”.
A obstinação na observância de mandamentos de condutas negativas contribuiu sobremaneira para a cegueira espiritual daqueles profissionais da religião, ao ponto de anularem a própria graça de Deus em suas vidas. Tanto é que o Salvador fez questão de registrar a conseqüência desse fato em vários discursos.
Em duas histórias ilustrativas Jesus fala de um fariseu e de um filho que baseavam sua relação espiritual com Deus por meio de mandamentos de ação negativa: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano” (Parábola do Fariseu e o Publicano); “Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua” (Parábola do Filho Pródigo). É patente aos olhos a pobreza espiritual da vida desses personagens, os quais são representações de um povo cuja religiosidade morta baseava-se em regras destituídas de amor e misericórdia.
Não podemos reduzir a justiça de Cristo a um simples conjunto de regras morais, principalmente no que tange a condutas de ação negativa, senão correremos o sério risco de rebaixar a sua graça a simples comportamentos exteriores. O amor, fruto do Espírito que age de dentro para fora, necessariamente requer ação positiva para se manifestar no mundo a nossa volta.
Por todos esses argumentos conclui-se que o poder do evangelho de Cristo produz uma vida de movimento em direção às necessidades do próximo, porque quem é afetado pelo amor da graça de Deus não permanece inerte num mundo de regras mortas sem o poder de causar impacto na vida do semelhante.
Portanto, quem está cheio do amor do evangelho de Deus está pronto a atender à ordem do Salvador Jesus: “Vai e procede tu de igual modo”.

“como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles” (Lucas 6.31).

No amor de Cristo, amém.

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