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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Distinção entre Lei e Evangelho

Distinção: diferença, separação. Qualidade pela qual uma pessoa ou uma coisa se diferencia de outra.

1) INTRODUÇÃO
- Pergunta:
- Por que a Bíblia em algumas passagens impõe condições para a salvação enquanto em outras não impõe condição nenhuma?
- Resposta:
- Porque as passagens que impõem condições para a salvação dizem respeito à lei, ao passo que as que não impõem nenhuma condição para se obter a salvação eterna referem-se ao evangelho.
- Advertência
- A correta distinção entre lei e evangelho constitui a chave para o cristão compreender com mais clareza o plano de salvação, e o grande segredo para o pregador obter sucesso na exposição do evangelho.
2 Timóteo 2.15: Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.
Qual a razão de ser da lei e do evangelho? Qual a função de um e de outro? Por que Deus deu a lei e o evangelho? Como, quando e para que devem ser usados?
Lei e evangelho, ambos, são palavra de Deus. No entanto, são radicalmente diferentes quanto a conteúdo, propósito e efeito. Ambos devem ser usados, mas de forma correta, conforme a Bíblia ensina.
A seguir vamos mostrar qual o conteúdo, propósito e efeito da lei e do evangelho, assim como a forma que devem ser usados pela igreja de Cristo.

2) LEI E EVANGELHO
2.1Definição da lei.
Vontade justa e imutável de Deus quanto a qual deve ser a qualidade do ser humano em sua natureza, palavras e obras, a fim de que possa agradar a Deus. Lei é, portanto, uma ordem pela qual Deus exige que façamos ou deixemos de fazer alguma coisa, ou que sejamos como Deus quer. Exemplos: “sede vós perfeitos como perfeito é o vosso pai celeste” (Mateus 5.48); “Não matarás” (Êxodo 20.13).

2.2Conteúdo da lei.
A lei contém mandamentos, determinações, normas, ordenanças, exigências de obediência, ameaças de punição. Ex.: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22.39); “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mateus 5.44); “Não matarás” (Êxodo 20.13); a alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18.20).

2.3Propósito da lei.
a) A lei não tem finalidade de salvar o ser humano.
A lei de Deus é santa, justa e boa.
Romanos 7.12: Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom.
A lei verdadeiramente revela um caminho perfeito ao céu.
Romanos 10.5: Ora, Moisés escreveu que o homem que praticar a justiça decorrente da lei viverá por ela.
Lucas 10.28: Então, Jesus lhe disse: Respondeste corretamente; faze isto e viverás.
Mas desde a queda do homem esta lei, que foi ordenada para a vida, “estava enferma pela carne”.
Romanos 7.10: E o mandamento que me fora para vida, verifiquei que este mesmo se me tornou para morte.
Romanos 8.3: Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado,
Por que a lei “estava enferma pela carne”? Porque homem algum é capaz de alcançar a santidade e a perfeição nela exigidas.
Eclesiastes 7.20: Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque.
Romanos 3.23: pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,
Todo aquele, pois, que procura salvação por meio da lei, não só se expõe à maldição da lei, mas, deixando de cumpri-la, realmente merece esta maldição
Gálatas 3.10: Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las.
Conseqüentemente, ninguém será justificado diante de Deus por obras da lei
Romanos 3.20: visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.
Portanto, apesar de a lei revelar um perfeito caminho ao céu, não pode alcançar esse objetivo no homem. Não porque a lei é defeituosa, mas sim porque o pecado do homem torna a lei um caminho impossível no que diz respeito à salvação eterna.
Ao dar a lei no Sinai, de forma nenhuma foi propósito de Deus que o homem alcançasse e pudesse alcançar salvação pelo cumprimento da lei; pois não só sabia que isso era impossível para o homem, mas quatrocentos e trinta anos antes havia dado a herança a Abraão por promessa.
Gálatas 3.14-18: para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido. Irmãos, falo como homem. Ainda que uma aliança seja meramente humana, uma vez ratificada, ninguém a revoga ou lhe acrescenta alguma coisa. Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo. E digo isto: uma aliança já anteriormente confirmada por Deus, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a pode ab-rogar, de forma que venha a desfazer a promessa. Porque, se a herança provém de lei, já não decorre de promessa; mas foi pela promessa que Deus a concedeu gratuitamente a Abraão.

b) A lei é espelho destinado a mostrar os pecados do ser humano.
Desde a queda do homem a finalidade principal da lei é convencê-lo de que é pecador por natureza e de suas numerosas ofensas contra a santa vontade de Deus, da sua culpa por causa do pecado, e da justa ira de Deus (Romanos 3.19; Daniel 9.10-11).


- Convencer do pecado original: culpa hereditária - transgressão atribuída; depravação hereditária - corrupção transmitida. Resultado: numerosas ofensas contra a lei de Deus.
- Convencer da culpa por causa do pecado.
- Convencer da justa ira de Deus.


Assim a lei tem função muito distinta e importante: quebrar no homem aquela auto-suficiência, aquela auto justiça, aquele orgulho diante de Deus que se vangloria e confia nos próprios méritos, e despreza todas as ofertas da graça.


- Quebrar a auto-suficiência: Não precisar de ajuda. Não precisar da obra redentora de Cristo.
- Quebrar a autojustiça: Justiça própria. Justiça por obras próprias. Méritos próprios.
- Quebrar o orgulho: Sentimento de superioridade. Desprezar a graça divina ou, os outros.
- Humilhar o homem diante de Deus: Reconhecer nossa verdadeira condição de pecadores.
- Encher o coração do homem de terror: Pavor, grande medo pela condenação da lei.


RESUMINDO: para a lei convencer o homem do pecado, da culpa e da justa ira de Deus, precisa antes quebrar sua auto-suficiência, sua autojustiça e seu orgulho, e humilhá-lo e encher seu coração de terror.

Gálatas 3.19: Qual, pois, a razão de ser da lei? Foi adicionada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem se fez a promessa, e foi promulgada por meio de anjos, pela mão de um mediador.
Versão NTLH: Então, por que é que foi dada a lei? Ela foi dada para mostrar as coisas que são contra a vontade de Deus. A lei devia durar até que viesse o descendente de Abraão, pois a promessa foi feita a esse descendente. A lei foi entregue por anjos, e um homem serviu de intermediário.
Romanos 7.7: Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás.
Versão NTLH: O que vamos dizer então? Que a própria lei é pecado? É claro que não! Mas foi a lei que me fez saber o que é pecado. Pois eu não saberia o que é a cobiça se a lei não tivesse dito: "Não cobice."
Romanos 3.20: visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.
Versão NTLH: Pois ninguém é aceito por Deus por fazer o que a lei manda, porque a lei faz com que as pessoas saibam que são pecadoras.
Romanos 3.19: Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus,
Versão NTLH: Nós sabemos que tudo o que a lei diz é dito para os que vivem debaixo da lei. Isso a fim de que todos parem de se justificar e a fim de que todas as pessoas do mundo fiquem debaixo do julgamento de Deus.
Romanos 7.24-25: Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado.
Versão NTLH: Como sou infeliz! Quem me livrará deste corpo que me leva para a morte? Que Deus seja louvado, pois ele fará isso por meio do nosso Senhor Jesus Cristo! Portanto, esta é a minha situação: no meu pensamento eu sirvo à lei de Deus, mas na prática sirvo à lei do pecado.

A lei faz com que compreendamos nossa condição de perdidos e a necessidade de um salvador. De sorte que a finalidade principal da lei é operar conhecimento do pecado e pesar por causa dele.


- A lei quebra no ser humano a auto-suficiência, a autojustiça e o orgulho. Humilha e enche seu coração de terror.
- A lei convence o homem do pecado, da culpa e da justa ira de Deus (conhecimento)
- A lei mostra ao ser humano sua condição de perdido e a necessidade de um salvador.


Vendo na lei que sua condição de pecador o condena ao inferno eterno, e que não pode fazer absolutamente nada para mudar essa situação desastrosa, outra coisa não resta ao homem a não ser refugiar na graça salvadora de Deus manifestada no sacrifício substitutivo de Cristo. Dessa maneira, a lei prepara o coração do homem para receber o evangelho.

c) A lei nos seve de guia na vida.
Para os filhos de Deus a lei divina os dirige e guia, mostrando-lhes o que é verdadeiramente bom e agradável aos olhos de Deus (Romanos 12.1-2; Miquéias 6.8; Salmo 119.9).
 A lei mostra o que é certo e o que é errado.

d) A lei serve de freio.
Pela sua ameaça de punição, a lei também é útil para manter disciplina externa e decência contra pessoas desenfreadas e desobedientes, reprimindo em alguma medida a manifestação violenta do pecado. “...não se promulga lei para quem é justo, mas para transgressores e rebeldes, irreverentes e pecadores” (1 Timóteo 1.9-10).
A externa justiça civil dos homens, embora não proceda do motivo verdadeiro, é resultado desse uso da lei, sem a qual os homens viveriam como os animais selvagens.

2.4Efeitos da lei.
Medo do castigo de Deus, tristeza, desespero, ódio, ira de Deus no coração e morte.
Por uma simples razão: o ser humano não pode cumprir a lei no verdadeiro espírito, que é amor a Deus. Antes da queda o homem cumpria perfeitamente a lei divina no verdadeiro espírito, fato que só voltará acontecer na vida eterna com Deus.
Por causa do pecado o ser humano consegue apenas efetuar o cumprimento exterior da lei. Mesmo exteriormente, esse cumprimento da lei é parcial e imperfeito.
Por esse motivo é que Cristo teve de vir ao mundo nos salvar: cumpriu a lei perfeitamente e sofreu o castigo do pecado dos homens. Pela fé os méritos dessa obra de Cristo é atribuída ao pecador, isto é, é dada, concedida, conferida a quem crer. Funciona como se nós mesmos tivéssemos cumprido perfeitamente a lei e sofrido o castigo pelos nossos pecados. É isto que a fé faz: a justiça de Cristo é dada a nós.

2.5Definição de evangelho.
Poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1.16).
Evangelho significa boa nova, boa notícia, boa mensagem: que Cristo realizou a obra que era para o pecador realizar, mas que era-lhe impossível. Cristo pagou nossos pecados com seu sofrimento na cruz do calvário e cumpriu perfeitamente a lei de Deus em nosso lugar, de forma que quem recebe essa verdade, pela fé, é salvo da condenação eterna.
“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16).

2.6Conteúdo do evangelho.
Mensagem da graça e do amor de Deus manifestados na obra redentora de Cristo. Mensagem de que Cristo reconciliou o mundo consigo. Mensagem de graça e perdão. Convite a receber, pela fé na obra redentora de Cristo, o presente da salvação eterna.
“aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (João 4.14).
“Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação” (2 Coríntios 5.19).  
O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida” (Apocalipse 22.17).
“À hora da ceia, enviou o seu servo para avisar aos convidados: Vinde, porque tudo está preparado” (Lucas 14.17).
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8-9).

2.7Propósito do evangelho.
Revelar a pecadores o amor e a graça de Deus manifestados na obra redentora de Jesus Cristo. Oferecer perdão dos pecados e salvação por intermédio do sacrifício de Cristo.
A finalidade do evangelho é perdoar e salvar.
Poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1.16).
“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16).
“Depois, trazendo-os para fora, disse: Senhores, que devo fazer para que seja salvo? Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus serás salvo, tu e tua casa” (Atos 16.30-31).

2.8Efeito do evangelho.
O evangelho produz consolo, amor a Deus e ao próximo, obediência voluntária, alegria, paz, esperança. Opera fé e confiança em Deus.
Produz perdão, conversão, justificação, salvação, santificação, preservação da fé salvadora.
O evangelho liberta do pecado, da morte, do diabo e do inferno.
O evangelho produz a seguinte declaração, feita por Pedro a Jesus Cristo: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” (Mateus 16.16).
“poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1.16).
“O justo viverá por fé” (Romanos 1.17)
 “aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (João 4.14).
“Agora, pois, já nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8.1).
“E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos” (Colossenses 2.13).
O evangelho produz perdão e salvação.



LEI
EVANGELHO
Definição
Vontade justa e imutável de Deus: fazer ou deixar de fazer algo, ou ser como Deus quer.
Boa notícia de que Cristo reconciliou o mundo com Deus. A salvação é um presente a ser recebido somente pela fé.
Conteúdo
Mandamentos, determinações, ordens, exigências de obediência, ameaças de punição.
Mensagem de que Cristo reconciliou o mundo consigo. Convite a receber, pela fé, a salvação conquistada por Cristo.
Propósito
Espelho: mostra que somos pecadores. Guia: dirige a vida do cristão. E freio: reprime manifestações violentas do pecado.
Oferecer perdão dos pecados e salvação por meio da obra redentora de Cristo. Salvação do ser humano por meio da fé em Cristo.
Efeito
Produz medo do castigo de Deus, tristeza, desespero, ódio, ira de Deus no coração e morte.
Fé, perdão, conversão, salvação, consolo, alegria, paz, esperança, confiança, amor, obediência voluntária, vida.



- A lei é diagnóstico, não remédio da doença.
Diagnosticar significa descobrir uma doença por meio da análise de seus sintomas, sinais ou mediante exames (radiografia, ultra-sonografia ressonância magnética, exame de sangue etc.). Assim, quando um paciente procura tratamento de saúde o médico descobre sua doença por meio de diagnósticos. Depois de diagnosticar (determinar, descobrir) a doença, prescreverá (receitará) o remédio. Isso também acontece na vida espiritual.
Diagnóstico: a lei divina mostra que o ser humano está doente, isto é, que ele é pecador, que é corrompido pelo pecado original, que é por natureza inclinado para o mal e separado de Deus. A lei diagnostica (descobre, determina) o problema espiritual do ser humano, mas não prescreve (receita) o remédio.
Remédio: a cura para a doença diagnosticada pela lei é prescrita (receitada) por Deus e colocada gratuitamente a disposição de todos por intermédio da obra redentora de Jesus Cristo.
Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos. (Romanos 5:19)
Diagnóstico: LEI. Remédio: EVANGELHO.


3) A IGREJA DEVE PREGAR LEI E EVANGELHO COMO A BÍBLIA PREGA
3.1Para pessoas incrédulas.
Deve-se pregar primeiro a lei a fim convencê-las de que são pecadoras por natureza e de suas numerosas ofensas contra a santa vontade de Deus, da sua culpa por causa do pecado, e da justa ira de Deus.
Romanos 3.20: visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.
Romanos 7.7: Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás.
Romanos 3.19: Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus,
Ezequiel 18.20: a alma que pecar, essa morrerá;
Romanos 6.23a: porque o salário do pecado é a morte,
A lei divina tem nesse caso a função de quebrar a auto-suficiência, a auto justiça, o orgulho diante de Deus que se vangloria e confia nos próprios méritos, e despreza todas as ofertas da graça.
A lei faz com que as pessoas compreendam sua condição de perdidas e a necessidade de um salvador.
Depois de pregar a lei, obrigatoriamente deverá ser pregado o EVANGELHO, visto que somente o evangelho tem o poder de converter o pecador.
Vendo na lei que sua condição pecaminosa as condena ao inferno eterno, e que não pode fazer absolutamente nada para mudar essa situação desastrosa, outra coisa não resta a não ser refugiar-se na graça salvadora de Deus manifestada no sacrifício substitutivo de Cristo. Dessa maneira, a lei prepara o coração das pessoas para receber o evangelho.
Como saberei se preciso do remédio do evangelho sem antes saber que estou espiritualmente doente por causa do pecado?
Para pessoas ainda não salvas, então: primeiro se prega a lei, depois, o evangelho. A lei tem a função de mostrar que somos pecadores, mas não tem a função de converter-nos a Deus. A conversão é obra operada unicamente pelo evangelho de Cristo por meio do poder do Espírito Santo.

Exemplos bíblicos
A seguir, alguns exemplos da Bíblia de como se deve pregar lei e evangelho para pessoas ainda não salvas:
O criminoso da cruz (Lucas 23.42-43)
Durante o processo que condenou o ladrão a morrer na cruz a lei funcionou como espelho mostrando-lhe sua culpa e a justa condenação pelos atos criminosos (pecados) praticados. Naquela cruz toda a auto-suficiência, autojustiça e orgulho dele foram quebrados pela lei divina, ficando humilhado e cheio de terror por causa da morte que se aproximava. Convencido pela lei de seu pecado, da culpa e da justa ira de Deus, e ciente de sua condição de perdido e de que não poderia fazer nada para sair daquela situação desesperadora, rendeu-se ao evangelho. Naquele momento sentiu a necessidade de um salvador, do Salvador Jesus.
Ao fazer um simples pedido: “lembra-te de mim quando vieres no teu reino”, Jesus não impôs nenhuma obra como condição para receber o malfeitor da cruz. Simplesmente respondeu: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”. Isso é evangelho, algo simples e descomplicado.
A lei mostrou ao ladrão da cruz seu pecado, fez seu diagnóstico. No entanto, não prescreveu nenhum remédio para seu pecado; o remédio para a cura (perdão e salvação) veio da única fonte existente para esse fim: o EVANGELHO.
A lei mostra nossa condição pecaminosa e nossos atos de pecados decorrentes dessa condição, mas não providencia nenhuma solução para esse problema. A solução vem somente do evangelho, de nenhum lugar mais.
A lei não conseguiu o mesmo resultado com o outro ladrão da cruz. Por quê? Porque era auto-suficiente. O senso de autojustiça e o orgulho desse criminoso impediram que a lei mostrasse sua verdadeira condição de pecador e a necessidade do evangelho.
Ambos estavam na mesma situação: eram pecadores e perdidos. Um se humilhou e reconheceu sua condição de pecador; o outro, continuou com sua atitude de orgulho e autojustiça. Um deles recebeu perdão e vida eterna com Deus.
O carcereiro (Atos 16.30-31)
No caso do carcereiro a lei operou o mesmo conhecimento do pecado operado no ladrão salvo na cruz.
A lei civil na época prescrevia morte a todo carcereiro que permitisse ou não conseguisse evitar fuga de presos. Durante o tempo em que Paulo e Silas ficaram presos sob a guarda do carcereiro oraram, cantaram e exaltaram o nome do Senhor. Por toda a lei divina que certamente já havia ouvido antes e pela que ouviu da boca dos dois apóstolos reconheceu-se pecador e, por isso, fez a seguinte pergunta: “Senhores, que devo fazer para que seja salvo?” Os apóstolos imediatamente responderam-lhe: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”. Não impuseram nenhuma condição para a salvação do carcereiro, uma vez que a lei já havia realizado seu papel: mostrar o pecado, a culpa e a justa ira de Deus. O objetivo principal da lei é essa.
Mas o perdão, a fé, a conversão, a salvação, a preservação da fé, é finalidade do EVANGELHO.
Evangelho é a boa notícia de que Jesus realizou a obra que nós deveríamos realizar, mas que era-nos impossível: cumpriu perfeitamente a lei em nosso lugar e sofreu o castigo pela culpa dos nossos pecados. E a única forma de se apropriar desse presente imerecido é pela fé.
Os três mil convertidos no pentecoste (Atos 2.36-38)
Nessa ocasião a Bíblia fala que quase três mil pessoas foram convertidas pelo Espírito Santo. O método usado pelos apóstolos foi o mesmo: “Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo”. Pregaram a dura lei para mostrar aos ouvintes que eles eram pecadores e merecedores do castigo de Deus.
Ao ouvirem a mensagem ficaram muito aflitos e imediatamente perguntaram o que deveriam fazer para serem salvos: “Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?”. Pedro então respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados”.

Verifica-se, portanto, que a lei nesses três casos funcionou como espelho mostrando os pecados das pessoas. Vendo seus pecados, isto é, tomando conhecimento deles, convencendo-se da culpa desses pecados e da justa ira de Deus, seus corações foram inundados de terror. Nessa hora, a auto-suficiência, a autojustiça e o orgulho deles foram quebrados. Humilhados pela lei, reconheceram sua condição de perdidos e a necessidade de um salvador, o Salvador Jesus.
Na conversão do pecador, a lei vai até esse ponto; mais que isso ela não faz. Quando a lei termina de fazer seu papel (convencer do pecado), o EVANGELHO opera um milagre: conversão do pecador. A lei opera conhecimento do pecado; o evangelho produz fé salvadora.
Essa é a GRAÇA de Deus: perdoar e salvar pecadores por intermédio da obra redentora de Cristo, mediante a fé. Efésios 2.8-9 diz: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”.

Com a intenção de operar conhecimento do pecado no coração dos religiosos da época, Jesus pregou duramente a lei. No entanto, o coração deles estava tão cheio de orgulho e justiça própria que mesmo a lei mostrando-lhes sua condição de imundos pecadores não se arrependeram. Assim, criaram um muro intransponível pelo qual a graça de Deus não pôde penetrar. Se eles simplesmente tivessem reconhecido seus pecados como o ladrão da cruz, o carcereiro e os quase três mil convertidos fizeram teriam ouvido o seguinte convite de Jesus: “vinde, porque tudo já está preparado”.

3.2Para pessoas salvas.
Depois de convertidas, os cristãos devem fazer uso da lei como um guia na prática de fé. A lei, depois da conversão, mostra qual a vontade de Deus para a vida do cristão aqui no mundo (Romanos 12.1-2; Miquéias 6.8; Salmo 119.9).
A lei divina deve ser usada por pessoas salvas como um guia nos relacionamentos com as outras pessoas e com Deus, uma vez que ela é santa, justa e boa. A lei foi dada por causa do ser humano, para o bem dele. O ser humano não foi criado por causa da lei; ele foi criado para relacionar-se com Deus e com seus semelhantes.
A lei de Deus é uma benção para os humanos, desde que seja usada de forma correta. Usá-la de forma errada (para merecer a salvação, por exemplo) pode ser uma maldição para a pessoa, porque está escrito em Gálatas 3.10: “Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las”.
Importante: Depois de convertidos os cristãos continuam com a velha natureza pecadora, chamada pela Bíblia de velho homem. Por isso, devem continuar fazendo uso da lei como espelho para verem sua condição pecaminosa e continuar, pela fé, dependendo unicamente da obra redentora de Cristo para sua salvação.

4) O PREGADOR DEVE SABER DISTINGUIR LEI E EVANGELHO
Em 2 Coríntios 3.6 o apóstolo Paulo escreve o seguinte: “O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica.”
O uso da lei deve ser apropriado, visto que por ela o homem não obtém salvação. Se mal utilizada pode destruir, podendo até levar o cristão a desviar sua fé da graça de Deus para suas próprias obras. Gálatas 5.4 adverte: “De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes”.
Daí a responsabilidade de quem prega a Palavra de Deus. Se mal utilizada, a lei pode acabar afastando mais ainda as pessoas de Deus, visto que por intermédio dela homem nenhum é capaz de se reconciliar com Deus.
Somente o evangelho aproxima as pessoas de Deus, porque é a notícia de que Cristo realizou aquilo que era tarefa nossa: cumprir a lei e sofrer o castigo pela culpa do pecado.

5) CONSIDERAÇÕES FINAIS
Toda a Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse, tem como finalidade principal salvar o ser humano, isto é, reconciliar o homem com Deus. Tão grande salvação tem apenas uma única fonte: a GRAÇA e o AMOR de Deus.
O plano da salvação bíblica separa a Bíblia de todos os demais livros tidos como sagrados. Os demais livros ensinam que o ser humano deve salvar-se a si mesmo de uma ou outra maneira (por meio das obras, principalmente). As Escrituras Sagradas ensinam que Deus salva o ser humano pela graça, por causa de Cristo, por intermédio da fé. Tal plano de salvação a mente humana jamais poderia ter inventado.
Essa mensagem de salvação é o convite do EVANGELHO. Somente o evangelho faz esse convite do perdão, da reconciliação, da salvação.
Apocalipse 22.17: “O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida”.
Foi dessa forma que a GRAÇA de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Tito 2.11: “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens”.
Portanto, o evangelho é a mensagem mais importante a ser pregada ao mundo. Marcos 16.15 diz: “ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”.
No evangelho de Mateus 10.8 Jesus Cristo ordenou aos seus discípulos: “de graça recebestes, de graça daí”.
E a lei de Deus, que é santa, justa e boa, deve servir a esse propósito.


Por Grimaldo Schumacker

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