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sexta-feira, 2 de março de 2012

A Parábola do Filho Pródigo – a atitude do filho mais velho

A Parábola do Filho Pródigo encontra-se registrada no Evangelho de Lucas, 15.11-32. Parábolas eram histórias contadas por Jesus por meio das quais ilustrava um ensinamento.

E Jesus disse ainda: - Um homem tinha dois filhos.
Certo dia o mais moço disse ao pai: "Pai, quero que o senhor me dê agora a minha parte da herança." - E o pai repartiu os bens entre os dois.
Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntou tudo o que era seu e partiu para um país que ficava muito longe. Ali viveu uma vida cheia de pecado e desperdiçou tudo o que tinha.
- O rapaz já havia gastado tudo, quando houve uma grande fome naquele país, e ele começou a passar necessidade.
Então procurou um dos moradores daquela terra e pediu ajuda. Este o mandou para a sua fazenda a fim de tratar dos porcos.
Ali, com fome, ele tinha vontade de comer o que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada.
Caindo em si, ele pensou: "Quantos trabalhadores do meu pai têm comida de sobra, e eu estou aqui morrendo de fome!
Vou voltar para a casa do meu pai e dizer: 'Pai, pequei contra Deus e contra o senhor
e não mereço mais ser chamado de seu filho. Me aceite como um dos seus trabalhadores' "
Então saiu dali e voltou para a casa do pai. - Quando o rapaz ainda estava longe de casa, o pai o avistou. E, com muita pena do filho, correu, e o abraçou, e beijou.
E o filho disse: "Pai, pequei contra Deus e contra o senhor e não mereço mais ser chamado de seu filho!"
- Mas o pai ordenou aos empregados: "Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Ponham um anel no dedo dele e sandálias nos seus pés.
Também tragam e matem o bezerro gordo. Vamos começar a festejar
porque este meu filho estava morto e viveu de novo; estava perdido e foi achado." - E começaram a festa.
- Enquanto isso, o filho mais velho estava no campo. Quando ele voltou e chegou perto da casa, ouviu a música e o barulho da dança.
Então chamou um empregado e perguntou: "O que é que está acontecendo?"
- O empregado respondeu: "O seu irmão voltou para casa vivo e com saúde. Por isso o seu pai mandou matar o bezerro gordo."
- O filho mais velho ficou zangado e não quis entrar. Então o pai veio para fora e insistiu com ele para que entrasse.
Mas ele respondeu: "Faz tantos anos que trabalho como um escravo para o senhor e nunca desobedeci a uma ordem sua. Mesmo assim o senhor nunca me deu nem ao menos um cabrito para eu fazer uma festa com os meus amigos.
Porém esse seu filho desperdiçou tudo o que era do senhor, gastando dinheiro com prostitutas. E agora ele volta, e o senhor manda matar o bezerro gordo!"
- Então o pai respondeu: "Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que é meu é seu.
Mas era preciso fazer esta festa para mostrar a nossa alegria. Pois este seu irmão estava morto e viveu de novo; estava perdido e foi achado" (NTLH).

Para compreendermos essa história contada por Jesus precisamos antes descobrir por que ela foi contada. Qual a motivação de o Mestre ter contado essa parábola?
Ao lermos as passagens anteriores, especialmente os versículos 1º e 2º do mesmo capítulo 15 do evangelho de Lucas, descobrimos o motivo pelo qual Jesus contou a parábola do filho pródigo.
Assim diz: “Certa ocasião, muitos cobradores de impostos e outras pessoas de má fama chegaram perto de Jesus para o ouvir. Os fariseus e os mestres da Lei criticavam Jesus, dizendo: - Este homem se mistura com gente de má fama e toma refeições com eles.” Jesus contou essa parábola por causa dos FARISEUS e MESTRES DA LEI. Não somente a parábola do filho pródigo, mas também as parábolas da ovelha perdida e da dracma perdida.
Os fariseus e os mestres da lei viram Jesus reunido com cobradores de impostos e outras pessoas de má fama. Cobradores de impostos naquela época eram os responsáveis pela arrecadação de impostos. Nesse trabalho tornavam-se corruptos e cobravam impostos das pessoas além do que deveriam cobrar, por isso os publicanos eram muito repudiados e detestados pelos fariseus e mestres da lei. Pessoas de má fama eram indivíduos que não pertenciam à religião dos fariseus e mestres da lei e cometiam todo tipo de pecado.
Pelo fato de Jesus se reunir com pecadores para pregar o EVANGELHO é que os fariseus e mestres da lei ficaram irados, indignados, pois no entender deles um religioso não poderia se misturar com pessoas pecadoras e de má fama.
Nos nossos dias os fariseus e mestres da lei representam os religiosos, isto é, as pessoas que têm uma igreja. Podem ser representados pelos membros de igrejas, pessoas que ajudam na igreja, pregadores, pastores, teólogos, bispos, padres, papas e assim por diante. Os publicanos poderiam ser os nossos políticos de hoje e também os funcionários públicos, especialmente aqueles que lidam diretamente com o dinheiro dos impostos da população. Bem sabemos quanta corrupção existe dentro da política e dos órgãos públicos. As pessoas de má fama podem ser representadas por todo tipo de pecadores imagináveis, tais como homossexuais, assassinos, adúlteros, prostitutas, alcoólatras, ladrões e roubadores, viciados em drogas, mentirosos ou qualquer indivíduo tido como “grande pecador”.
Imagine Jesus Cristo se reunindo com esse tipo de gente! E se fosse hoje, você ficaria escandalizado? Você teria a mesma atitude dos fariseus e mestres da lei? Você se consideraria melhor do que esses pecadores citados antes? Você também ficaria irado com Jesus como os religiosos daquela época ficaram? Você se sente superior às outras pessoas, especialmente àquelas tidas como “grandes pecadoras”? Você acha que sua prática de vida religiosa lhe garante uma posição melhor diante de Deus? Você pensa que Deus lhe aceitará porque é melhor do que os outros?
Foi diante dessa situação que Jesus Cristo, o Salvador, contou essa parábola. Foi por causa da atitude de justiça própria dos fariseus e dos mestres da lei, do orgulho espiritual dos religiosos que os faziam sentir superiores aos outros.
Inicialmente Jesus falou sobre a atitude do filho pródigo (o mais novo). Pródigo quer dizer esbanjador, gastador. O filho pródigo recebeu sua herança do pai e a gastou tudo com farras, bebedeiras, drogas, bailes, prostituição e todo tipo de pecado. Ao final, quando tudo acabou, reconheceu seu erro e voltou arrependido à casa do pai. O Pai o recebeu com a maior alegria do mundo e fez uma grande festa em comemoração à volta do filho. Assim também nós cristãos éramos.
Os seres humanos, desde Adão e Eva, nascem perdidos em pecados e delitos. Adão e Eva estavam na casa do Pai, tinham tudo de que precisavam; não lhes faltava nada. No entanto, resolveram “pegar sua herança” e ir embora. “Receberam” sua herança e deixaram o paraíso, tornando-se terríveis pecadores fadados à eterna alienação de Deus. Essa condição de pecadores passou a todos os seres humanos, ninguém ficando de fora. Dessa forma, toda a humanidade necessita voltar para a casa do Pai.
Todos os filhos de Deus um dia também foram iguais ao filho pródigo, grandes pecadores como ele. Apesar disso, foram aceitos por Deus por pura GRAÇA e misericórdia e recebidos no céu com uma grande festa. Assim, dessa maneira, tornaram novamente filhos de Deus. Os cristãos, que eram filhos da ira, filhos da perdição, se tornaram filhos da alegria, filhos da salvação, filhos da vida eterna, por causa do sacrifício vicário de Jesus Cristo.
Contando sobre a atitude do filho mais novo, Jesus mostrou aos fariseus e mestres da lei qual era sua missão ao vir ao mundo. Jesus veio ao mundo salvar pecadores, não condená-los. Jesus mesmo disse no evangelho de Marcos 2-17: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores”. Essa é a missão de Jesus: Salvar o ser humano que se encontra morto espiritualmente. Se fosse para condenar as pessoas Jesus não precisaria ter vindo ao mundo, porque Deus mesmo, lá do céu, poderia ter destruído a todos nós, como fez na época do Dilúvio ou de Sodoma e Gomorra. Mas a missão de Jesus, e também de todos nós como igreja de Cristo, é anunciar o EVANGELHO.
A missão da igreja é evangelizar, anunciar que Cristo reconciliou o mundo consigo. É pregar, dizer, falar, gritar, anunciar dia e noite sem parar que Cristo perdoou os pecados da humanidade perdida em pecados e delitos. Que agora, por meio de Cristo, temos livre acesso ao Pai, que pela fé na obra de Cristo somos aceitos novamente na casa do Pai.
Por esse motivo é que Jesus se reunia com pecadores.
Como Jesus pregaria o evangelho aos pecadores se não se reunisse com eles? Se os religiosos da época, representados pelos fariseus e mestres da lei, se recusaram a receber tão grande salvação, onde Jesus deveria pregar o EVANGELHO? Se a GRAÇA de Deus é endereçada a pecadores, onde então Jesus deveria estar para oferecê-la?
Agora vamos analisar a atitude do filho mais velho.
Contando sobre a atitude do filho mais velho Jesus mostrou o orgulho e o sentimento de autojustiça dos fariseus e mestres da lei. Eles achavam que aqueles pecadores com quem Jesus se reunia não eram dignos de receber perdão. Que aqueles pecadores não poderiam ser recebidos no reino da GRAÇA. Essa foi a atitude desastrosa daqueles religiosos cheios de orgulho. Um terrível pecado. Pecado de consequências muito piores do que aqueles praticados pelos cobradores de impostos e pessoas de má fama. Pelo menos os cobradores de impostos e as pessoas de má fama tinham a humildade de reconhecer seus pecados, abrindo assim a possibilidade de serem transformados pelo poder do evangelho, ao passo que os fariseus e mestres da lei não reconheciam que eram igualmente pecadores merecedores da justa ira divina.
Ambos os grupos, cobradores de impostos e pessoas de má fama e fariseus e mestres da lei, perante Deus eram terríveis pecadores, perdidos em delitos e pecados, igualmente necessitados da GRAÇA divina para serem salvos. Os dois grupos, tanto um como o outro, precisavam do perdão de Deus.
O que Deus espera do pecador é o reconhecimento de seu estado pecaminoso. Aí está a chave para abrir a porta do céu: Reconhecer-se pecador, que as melhores obras praticadas, perante a justiça de Deus, são trapos da imundícia. Que nada pode o pecador fazer para merecer o perdão divino.
Mas os fariseus e mestres da lei da época de Jesus não reconheceram sua condição de pecadores. Ao contrário, sentiam-se justos e desprezavam e julgavam os outros. Por isso Jesus não pôde transformar a vida deles. Que pena!
Contando a parábola do filho pródigo Jesus mostrou que veio ao mundo salvar pecadores, e não pessoas tidas como justas. Na atitude do filho pródigo, Jesus mostrou a necessidade de as pessoas reconhecerem-se pecadoras para receberem o dom da vida eterna. Na atitude do filho mais velho, Jesus mostrou que o orgulho espiritual pode transformar o coração humano numa pedra dura e fria, tornando-o impenetrável à ação do Espírito Santo.

Alguns questionamentos para meditação
  1. A nossa atitude espiritual parece mais com a atitude do filho pródigo ou com a atitude do filho mais velho? O filho pródigo disse: “Pai, pequei contra Deus e contra o senhor e não mereço mais ser chamado de seu filho!". O filho mais velho disse: “Faz tantos anos que trabalho como um escravo para o senhor e nunca desobedeci a uma ordem sua. Mesmo assim o senhor nunca me deu nem ao menos um cabrito para eu fazer uma festa com os meus amigos. Porém esse seu filho desperdiçou tudo o que era do senhor, gastando dinheiro com prostitutas. E agora ele volta, e o senhor manda matar o bezerro gordo!"
  2. Nós nos alegramos de fato quando um pecador é recebido por Cristo? Nós nos alegramos com a salvação dos pecadores? Ou temos prazer na morte do pecador?
  3. Por que às vezes queremos mandar naquilo que não é nosso? Por que algumas vezes queremos impedir Deus de abençoar os pecadores com o perdão divino? Por que queremos dizer a Deus quais pessoas merecem ou não receber perdão?
  4. Os pecadores têm prazer de estar à nossa presença, como tinham prazer de estar à presença de Jesus para ouvi-lo? O que temos para oferecer aos pecadores? Estamos oferecendo o remédio do EVANGELHO para a cura dos pecadores doentes ou estamos dando a eles veneno produzido por nosso orgulho espiritual, como fez o filho mais velho?
Nada melhor que ouvir o que o próprio Deus fala para o filho mais velho, e também para nós, hoje: “Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que é meu é seu. Mas era preciso fazer esta festa para mostrar a nossa alegria. Pois este seu irmão estava morto e viveu de novo; estava perdido e foi achado”.
Para o nosso bem devemos sempre ter em mente que todos nós estávamos mortos e tornamos a viver, estávamos perdidos e fomos achados. E essa nova vida de fé nos foi data puramente por causa da graça e misericórdia de Deus, não por causa dos nossos méritos.

Em nome de Jesus, amém.

2 comentários:

  1. Muito lindo texto, Cristo identifica os pecadores e publicanos como o Filho Prodigo. Sendo assim todos os seres humanos sao filhos ?

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  2. Muito bom este relato de explicação da parábola do filho pródigo este texto dá pra tirar muitas pregações Deus abençoe.

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