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sábado, 3 de março de 2012

A Parábola do Fariseu e do Publicano

A Parábola do Fariseu e o Publicano encontra-se registrada no Evangelho de Lucas, 18.9-14.
Parábolas eram histórias contadas por Jesus, por meio das quais Ele ilustrava um ensinamento.
Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros:
Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano.
O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ò Deus, graças de dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho.
O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!
Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.
Essa parábola contada por Jesus Cristo caiu como uma bomba sobre a mente orgulhosa dos religiosos daquele tempo. Ela foi contada por causa do orgulho espiritual.
O orgulho espiritual é e sempre foi um mal dentro da igreja, uma doença espiritual mais mortífera para a fé do cristão do que o câncer para o corpo humano. Orgulho espiritual é a mesma coisa que autojustiça, autosuficiência, justiça própria. É aquele comportamento religioso que leva a pessoa a pensar que consegue atingir a justiça de Deus por meio do cumprimento da lei e dos mandamentos divinos, que leva a pessoa a confiar mais em si mesma do que na obra redentora de Cristo para sua salvação. É aquele comportamento religioso que leva a pessoa a se considerar justa perante Deus por meio de suas próprias obras.
A conseqüência imediata desse comportamento é sentir-se superior e desprezar as outras pessoas.
Esse é o assunto dessa parábola: o orgulho espiritual. Assim está escrito: Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros”.
Na época de Jesus muitos religiosos judeus confiavam mais em suas próprias obras que na graça e misericórdia de Deus para a salvação de suas almas. Achavam que pelo simples fato de serem descendentes dos Judeus, o povo de Deus do Antigo Testamento, e de observarem as leis e os mandamentos dados por intermédio de Moisés seriam salvos. Pensavam que eram um povo em melhor posição que os demais povos, que eram mais justos que os demais habitantes da terra. Comportando-se dessa maneira tornaram-se altamente orgulhosos, confiantes em si mesmos, confiantes nas suas obras de justiça. Agindo dessa maneira passaram a sentir-se superiores às outras pessoas, passaram a desprezar todos aqueles que não faziam parte de sua religião.
Foi para religiosos desse tipo que Jesus contou a Parábola do Fariseu e o Publicano.
Os FARISEUS formavam um dos principais grupos religiosos judaicos da época de Jesus. Eram muito rigorosos na obediência à lei de Moisés e a outros ritos e costumes de prática religiosa. Eles confiavam mais nas suas próprias obras que na graça e misericórdia de Deus. Por isso tornaram-se orgulhos e arrogantes, e desprezavam os outros.
Os fariseus faziam parte da igreja do tempo de Jesus. Eles e os demais grupos religiosos judaicos formavam a igreja daquele tempo. Assim como os cristãos formam a igreja de hoje, eles formavam a igreja daquela época. Portanto, os fariseus, como os demais grupos religiosos judaicos, não eram um povo pagão, incrédulo. Eles eram a igreja da época. Esse povo religioso, tido como povo de Deus, é que rejeitou e matou o salvador Jesus. Quem matou Jesus não foram os incrédulos, os pagãos, os terroristas, os exércitos inimigos, as pessoas de má-fama, as pessoas fora da igreja, pecadores como os homossexuais, os assassinos, as prostitutas, os adúlteros, os idólatras, os beberrões, os feiticeiros. Não! Quem matou e rejeitou o salvador Jesus foi a própria igreja, foram os religiosos daquela época, foram velhinhos de cabeça branca que estavam a vida toda dentro da igreja, pessoas que liam a Bíblia todos os dias, pessoas que freqüentavam a igreja diariamente, pessoas que nasceram, viveram e morreram dentro da igreja, pessoas que trabalhavam na igreja, cantavam hinos dentro da igreja, faziam parte da liderança da igreja, pessoas religiosas acima de qualquer suspeita. Nem o diabo pensou que a própria igreja seria capaz de matar Jesus!
É mais do que certo que Jesus veio ao mundo para morrer, pois do contrário não conquistaria a salvação do pecador. No entanto, será que Deus esperava que o seu próprio povo fizesse isso?
Esse é um resumo que explica bem quem eram os fariseus. Eles faziam parte da igreja do tempo de Jesus, como os cristãos fazem parte da igreja de hoje.
Os PUBLICANOS, por sua vez, eram cobradores de impostos a serviço do Império Romano, que naquele tempo dominava os Judeus e todo o seu território. Tinham a má fama de exigir impostos excedentes em relação à taxa oficial, enchendo os bolsos com a diferença. Eram desprezados pelos judeus por colaborarem com o governo romano, que dominava o país.
Se um publicano fosse do povo Judeu era mais desprezado ainda, uma vez que os judeus o consideravam traidor da pátria. Os líderes religiosos, em particular, nutriam aversão a este tipo de funcionário a serviço do império romano. Os publicanos eram considerados muito pecadores, podendo hoje ser comparados aos políticos ou administradores públicos corruptos.
Esses “Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano”. Eram ambos pecadores. Diante de Deus nenhum deles era melhor que o outro. Ambos necessitavam da misericórdia e graça de Deus. Ambos precisavam do perdão de Deus.
Apesar de tanto um como o outro necessitar da misericórdia e graça de Deus para receber justificação, tiveram uma atitude completamente diferente. Assim como o dia é diferente da noite, assim também suas atitudes foram completamente diferentes perante Deus.
O fariseu orava de si para si mesmo, desta maneira: “Ò Deus, graças de dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho”.
Hoje, não é muito diferente dentro das igrejas. Quantos de nós não fazemos a mesma oração desse fariseu?! Quantos de nós não agimos e vivemos com a mesma mentalidade dele?! Será que não somos orgulhos espiritualmente como o fariseu da parábola?
- Não mato, não roubo, não adultero, não pratico idolatria, não bebo, não fumo, não minto, jejuo duas vezes por semana, dou o dízimo de tudo quanto ganho, sou batizado desta ou daquela forma, pertenço a essa igreja, não sou injusto, não sou como os demais homens, nem ainda como esse publicano. Essa foi a atitude daquele religioso fariseu. Essa é a nossa atitude na maior parte do tempo.
Por sua vez, o publicano, aquele que era considerado um grande pecador, teve uma atitude completamente diferente. Jesus disse que O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!
Que atitude maravilhosa aos olhos de Deus! Quantos de nós temos a mesma atitude de humildade que esse publicano teve? Por que o publicano desceu justificado para sua casa, e não o fariseu? Por que o publicano recebeu perdão e salvação, enquanto o fariseu não recebeu? Será que os mandamentos que o fariseu observava eram errados? Não eram mandamentos do próprio Deus? Como Deus pode perdoar e salvar um pecador como o publicano e rejeitar um religioso cumpridor de mandamentos como o fariseu, que fazia tudo certinho? Será que não compensa ser bom? Será que não compensa fazer o que é correto? Será que é errado fazer o que é certo? Afinal de contas, o que levou Deus a aceitar um pecador como o publicano e a rejeitar um santo como o fariseu?
A resposta está na própria parábola. O publicano disse: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador! O que o publicano disse foi o seguinte: - Ó Senhor Deus, sê favorável a mim, porque sou pecador. Eu reconheço que não consigo atingir a justiça manifestada na sua lei, mas, mesmo assim, por sua misericórdia, me perdoe. Perdoe-me por causa da sua graça, não por causa do que eu faço. As minhas obras de justiça perante a tua santidade, ó Deus, são trapos da imundícia. Eu sou pecador, sou muito pecador. Dentro de mim não há nada que me faça ser melhor que os outros, que me faça merecer a sua misericórdia e perdão, que me faça herdar a vida eterna. Se não for por sua vontade e amor, jamais obterei a vida eterna na glória celeste. Não olhe para as minhas obras, Senhor Deus, não olhe para a minha justiça própria, não olhe para o meu orgulho. Não, Senhor Deus, olhe somente pelos olhos de sua infinita graça e misericórdia. Ó Deus, se para a minha salvação o Senhor levar em conta minhas obras de trapos da imundícia, serei implacavelmente consumido no fogo do inferno; mas, se olhares para mim através da sua misericórdia, se olhares para mim através de Cristo, se fores propício a mim, pecador, aí sim, serei perdoado.
Essa foi a atitude do publicano pecador. Ele não se firmou em suas obras de justiça própria, mas sim na graça de Deus para perdão de seus pecados e salvação de sua alma.
O fariseu, por sua vez, tomou um caminho diferente. O fariseu firmou-se unicamente na sua justiça própria. Firmou-se nele mesmo, não no poder e misericórdia de Deus. O que ele fazia, isto é, os mandamentos que cumpria, não eram errados. Não foi por fazer o que é certo que Deus o rejeitou. A rejeição do Fariseu ocorreu única e exclusivamente porque confiou em suas próprias obras, pensando que com isso receberia perdão e salvação.
Mas ninguém consegue salvação fora da graça de Deus. A salvação não é algo que conquistamos com nossas obras. A vida eterna com Deus somente pode ser obtida por meio da fé no sacrifício redentor de Cristo. Não existe outro caminho. O fariseu tentou criar outro caminho, mas ao final recebeu a decepcionante resposta de Deus: “Digo-vos que este (o publicano) desceu justificado para sua casa, e não aquele (o fariseu); porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.
Nessa parábola aprendemos que Deus aceita o pecador não por causa do ele faz ou deixa de fazer, mas unicamente por causa de sua misericórdia manifestada na obra salvadora de Cristo, a qual somente pode ser recebida por meio da fé.
No evangelho de João 14.6 Jesus disse: “eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao pai senão por mim”.
No livro de Efésios 2.8-9, assim diz: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dou de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”
A atitude do fariseu é perigosíssima para salvação das pessoas. O orgulho pode constituir um impedimento à ação salvadora de Deus. Se o pecador não se reconhece pecador, como reconhecerá a necessidade de um salvador?! Se um doente não reconhece sua doença, como usará remédio?! Jesus mesmo disse, no evangelho de Marcos 2.17: “Os são não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores”.
O único remédio existente para doentes pecadores como nós, preparado pelo próprio Deus, é a obra de Cristo realizada em nosso favor. Sem Cristo não há salvação. Não existe outro caminho ao Céu. Nem mesmo as nossas melhores obras.
O publicano não foi salvo por causa da obra de reconhecer-se pecador. Ele foi salvo porque não impediu a ação do Espírito Santo em sua vida. Deus sabe e não espera perfeição dos seres humanos; do contrário, a salvação seria obtida por obras. No entanto, Deus requer que nós reconheçamos nossa condição de pecadores perdidos e a necessidade da graça divina para perdão e salvação. Essa atitude, a atitude do publicano, deve ser a nossa também durante toda a nossa vida terrena.
Ambos eram pecadores e merecedores do inferno, tanto o publicano como o fariseu. Nenhum deles era mais pecador que o outro. Nenhum era melhor que o outro. A diferença, contudo, está na atitude deles perante Deus. Qual atitude fez a diferença? A atitude que fez toda a diferença foi a atitude de humildade do publicano.
As obras do fariseu não eram erradas, elas eram certas, eram corretas. Deus mesmo pede nos seus mandamentos que façamos boas obras. Errado foi o fariseu se firmar nelas para sua salvação.
E nós, como estamos agimos perante Deus? Nossa vida espiritual parece mais com a história do fariseu, ou com a do publicano? Em qual lado estamos? Confiamos mais na força humana da nossa carne, ou confiamos mais na força da obra de Cristo?
Não devemos imitar a atitude do fariseu. Essa atitude é um desastre. Essa atitude de orgulho espiritual afastou o fariseu de Deus. Assim como esse orgulho pode nos afastar de Deus, também pode nos afastar das pessoas. Com atitude semelhante podemos afastar as pessoas de Deus, emitindo julgamentos e condenações. Corremos o risco de trabalhar contra a vontade de Deus, de fechar a porta do evangelho aos pecadores, de sentir-nos superiores às outras pessoas, de nos transformar em guia de cegos, em sepulcros caiados, em hipócritas, em meros religiosos cumpridores de regras e regulamentos. Corremos o risco de colocar-nos no lugar de Deus e julgar os outros, fazendo aquilo que somente Deus pode fazer. Agindo como o fariseu estamos na verdade julgando a nós mesmos, pois Jesus disse no evangelho de Mateus 7.1-2: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.”.
Essa atitude de orgulho espiritual, exemplificada pelo fariseu, que também pode ser a minha e a sua, é mais devastadora, mais destruidora, mais terrível do que o câncer é para o corpo humano. Não sejamos assim. Deus pede que sejamos humildes, que dispensemos amor aos pecadores e ao nosso próximo, que dispensemos alegria às pessoas que estão a nossa volta, que celebremos a alegria da salvação, que nos alegremos com a possibilidade de salvação do pecador, porque nós, também, estávamos perdidos e fomos achados, estávamos mortos e fomos revividos, não pagando nada por essa nova vida. Cristo é que pagou por nós.
Ao invés de agirmos como o fariseu dessa parábola querendo a salvação só para nós devemos é ter o mesmo desejo que Deus tem em relação às pessoas. Em 1 Timóteo 2.4 a Bíblia diz que Deus “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”.
Será que esse é o nosso desejo também? Nós de fato temos esse desejo em nossos corações? Se realmente temos esse desejo, por que julgamos tanto as pessoas? Por que excluímos as pessoas? Por que às vezes fechamos a porta do evangelho aos pecadores? Por que queremos o céu só para nós? Por que queremos perdão só para nós? Por que negamos o perdão de Deus ao próximo?
Se temos o desejo de que todos sejam salvos, por que às vezes tentamos vender a graça de Deus como se vende uma mercadoria? Por que estipulamos um preço pela graça de Deus? Por que exigimos comportamentos exteriores para o perdão de pecados? Por que exigimos que as pessoas sejam perfeitas para receberem o perdão de Deus? Se nós não somos perfeitos, se nós não somos santos, por que exigimos que os outros sejam assim? Jesus não disse, no evangelho de Mateus 10.8, que “de graça recebestes, de graça daí”? Por que então muitas vezes fazemos o contrário, como o fariseu da parábola fez? Por que não damos também de graça a misericórdia de Deus? Nós também não recebemos de graça?
Se nós temos a atitude do publicano, que disse “se propício a mim, pecador”, Deus tem o seguinte recado: - o que se humilha será exaltado. Se, por outro lado, temos a atitude do fariseu, que disse “não sou como os demais homens ...nem ainda como este publicano”, Deus nos diz assim: - todo o que se exalta será humilhado.
A única forma de não ser humilhado é estar do lado de Cristo. É reconhecer-se pecador, reconhecer que só existe salvação por causa da graça de Deus manifestada na obra redentora de Jesus na cruz do calvário. Reconhecer que a salvação é um presente a ser recebido pela fé, não uma recompensa a ser conquistada por esforços humanos.
O que Jesus ensina na parábola do fariseu e o publicano é o seguinte: O perdão dos pecados não depende daquilo que pensamos que podemos fazer, mas sim do que Cristo efetivamente foi capaz de realizar.

Que o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo nos auxilie, por sua misericórdia e graça, a termos sempre em mente a atitude de humildade do publicano. Amém.

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