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sexta-feira, 2 de março de 2012

O Arrependimento Bíblico

Marcos 1.15: “...O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho”
Lucas 5.32: “Eu não vim chamar justos, mas pecadores ao arrependimento”

1 – Significado da palavra arrependimento

Arrependimento significa ato ou efeito de arrepender-se.
Conforme os dicionários da língua portuguesa, a palavra arrepender significa “retratar-se”, “voltar atrás”, “sentir pesar por faltas ou erros cometidos”, “mudar de atitude, de procedimento, de parecer”, “produzir mal-estar”, “incomodar”, “abater-se”, “tristeza por estar em procedimento errado”.
É uma mudança de atitude, ou seja, é adquirir uma atitude contrária àquela tomada anteriormente. Na linguagem bíblica, arrependimento consiste propriamente de duas partes: contrição, isto é, pesar que atinge a consciência através do conhecimento do pecado, e , que é nascida do evangelho e crê que por causa de Cristo os pecados são perdoados, conforta a consciência e a liberta de seus pesares.
Arrependimento constitui uma mudança radical de pensamento, de perspectiva; em vez de ver a si próprio como centro do universo, vê Deus como sendo o centro, confiando na promessa de vida eterna oferecida única e gratuitamente pelo sacrifício de Jesus Cristo na cruz do calvário. É mais do que observância ritual ou confissão exterior. É algo que ocorre no coração, no interior. É mudar de caminho, deixando a condição de perdido (não-salvo) e adquirindo a condição de salvo (redimido). Antes, sem Cristo; depois, com Cristo. Antes, sem fé salvadora; depois, com fé salvadora. É transformação mental operada pelo evangelho. É acreditar no perdão oferecido gratuitamente através da fé em Cristo Jesus. É o Espírito Santo produzindo e mantendo a fé salvadora no coração.
A Bíblia usa a palavra arrependimento em dois sentidos, o que é muito importante saber para não cometer erros de interpretação. Se houver entendimento errado quanto ao significado dessa palavra o crente pode nunca estar certo de sua salvação (pode nutrir dúvidas sobre o real e efetivo perdão de todos os seus pecados oferecido pelo sacrifício de Cristo).

2 – Compreendendo os dois sentidos da palavra arrependimento
a) Primeiro sentido – no sentido estrito (próprio) arrependimento é um pré-requisito da conversão do pecador. Depois de tomar consciência de sua condição pecaminosa herdada de Adão e da inevitável conseqüência dessa condição, que é o justo castigo eterno, o pecador entra em contrição (quebrantamento pela lei, revelando que todos os homens se encontram sob a maldição do pecado). O juízo da ira de Deus realiza sua tarefa através da lei, acusando a consciência e mostrando ao homem que tudo nele é pecaminoso, e que por isso o caminho de salvação pela própria lei (obras) é impossível. Esse é o papel da lei na conversão do pecador: mostrar o pecado e a sentença por causa dele.
Passo imediato ocorre pela proclamação do evangelho, que desperta a fé na misericórdia e graça de Deus e transforma o homem de tal maneira que recebe nova mentalidade e o faz voltar seus olhos de si mesmo ao que Cristo é e faz.
Torna-se claro que o arrependimento está intrinsecamente ligado à conversão do pecador. É obra produzida pela Palavra de Deus, não pelo esforço humano. É uma mudança de vida, passando-se de perdido à condição de salvo. Antes sem Cristo, depois com Cristo.
No sentido próprio da palavra, arrependimento confunde-se com conversão. Falar que houve arrependimento é a mesma coisa que falar que houve conversão, salvação.
Lucas 5.32: “Eu não vim chamar justos, mas pecadores ao arrependimento”
b) Segundo sentido – num outro sentido (amplo) arrependimento constitui nos atos e práticas diários do cristão convertido. É a manifestação de atos externos daquela condição interna permanente de arrependimento.
Aqui não se fala em arrependimento para perdão e salvação, visto que quem crê em Cristo já está perdoado e salvo. Quem crê em Cristo é salvo, vive a condição de salvo. Fala-se em arrependimento, nesse segundo sentido, como manifestação exterior da fé.
Arrependimento, portanto, é uma condição interior, um estado interior, e não meramente atos externos. Essa condição interna produz e manifesta-se nas práticas externas. A condição interior de arrependimento dura enquanto houver fé, enquanto se está crendo em Cristo como Salvador; a prática de atos externos do arrependimento, como a própria definição do termo ato implica, significa as obras externas realizadas pelo homem cuja manifestação varia em qualidade e quantidade de pessoa para pessoa, de acordo com a personalidade, regularidade de estudo da Palavra e de oração etc. O próprio Cristo, na Parábola do Semeador, disse que os convertidos produziriam frutos a cem, a sessenta e a trinta por um.
Internamente, como condição, o arrependimento é igual em todos os que crêem; externamente, como prática e fruto, o arrependimento se apresenta em graus diferentes na vida dos crentes.
Mateus 3.8: “Produzi, pois frutos dignos de arrependimento”

3 – Erros geralmente cometidos no meio cristão
Não são poucos os cristãos que acreditam que para serem salvos devem primeiro pedir perdão (manifestação externa do arrependimento) a Deus dos pecados ou de certo pecado específico e no instante seguinte morrerem. Assim, pensam que logo após receber o perdão adquirem um “estado de santidade” que os faz merecedores da salvação. (Aqui falamos de crentes justificados, que passaram pelo arrependimento para perdão e salvação – 1º sentido da palavra).
Não funciona dessa maneira. Esse entendimento é totalmente errado. Todos os pecados (passados, presentes e futuros) já estão perdoados para aqueles que receberam a Jesus como Salvador pessoal. Essa idéia não tem o mínimo de fundamento bíblico, chega a ser um absurdo. Vejamos o porquê:
Se o perdão dependesse do ato externo de pedir perdão a salvação seria uma impossibilidade, por três motivos: primeiro, porque esse ritual evidenciaria obra meritória no plano de salvação; no entanto, como a Bíblia deixa bem claro, por meio das obras não há salvação. Segundo, é praticamente impossível lembrar-se de todos os pecados cometidos durante a vida para confessá-los (e se ficasse pecados sem confessar, haveria perdão?). Terceiro, o problema maior da humanidade não reside nos pecados (atos) praticados no dia a dia, mas, sim, em sua natureza pecaminosa inclinada para o mal. Aqui, nesse terceiro ponto, reside verdadeiramente o problema. Explico:
Infelizmente muitos cristãos, por falta de um conhecimento mais aprofundado da Bíblia, enxergam somente os atos de pecados cometidos diariamente sem, contudo, se atentar para o fato de que esses pecados são praticados por causa da velha natureza pecaminosa herdada de Adão (pecado original). Pelo simples fato de o ser humano existir como pessoa já é merecedor da condenação eterna, vez que já é concebido em pecado (“nasce pronto para o inferno”). Davi assim se pronunciou: “Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe.” (Salmos 51:5:). Vemos então que o problema do ser humano está na fonte, lá em Adão, e não nos atos pecaminosos praticados durante sua existência. “Filho de peixe, peixinho é”.
Necessário se faz, portanto, a concepção correta do arrependimento para também entender corretamente a contrição, a conversão, a própria fé, o perdão e a confissão.

4 – Os benefícios do arrependimento
O arrependimento produz primeiramente salvação da alma, produz vida eterna com Deus. Depois, como conseqüência natural da conversão a Deus, produz “frutos dignos de arrependimento” (Mateus 3.8). Esses frutos manifestam-se por duas vias. Na relação com o Senhor, reconhecendo-se pecador e clamando por misericórdia; vivendo em espírito de gratidão e alegria pelo perdão dos pecados; louvando e adorando por causa do amor imerecido; dependendo sempre, pela fé, do favor divino manifestado na obra salvadora de Cristo. Na relação com o semelhante: acolhendo, amando, perdoando, ajudando, pedindo perdão por ofensas, evangelizando etc.

5 – Para reflexão
Arrependimento não é moralidade
Não é sobre bom comportamento. Não é "fazer melhor." Arrependimento é colocar nossa confiança em Deus em vez de confiarmos na nossa inteligência, nos nossos amigos, no nosso país, no nosso governo, nas nossas armas, no nosso dinheiro, nas nossas autoridades, no nosso prestígio, na nossa reputação, nos nossos bens materiais, na nossa profissão, na nossa cor, no nosso sexo, no nosso sucesso, na nossa aparência, nas nossas posições na igreja e na sociedade, nas nossas obras de caridade, na nossa bondade, na nossa castidade, na nossa honestidade, na nossa obediência, na nossa devoção, nas nossas disciplinas espirituais, no nosso orgulho, no nosso senso de autojustiça e em tantas outras coisas mais. Arrependimento é pôr todos os ovos numa só cesta, a cesta de Deus. É seguir ao lado Dele, acreditar no que Ele fez lá na cruz do calvário, render-se à sua GRAÇA MARAVILHOSA.

Arrependimento não é prometer “ser bom”
Não é "tirar o pecado de nossa vida". É confiar na clemência de Deus para nossa vida. É confiar que Deus, por Jesus Cristo, nos salvou. É confiar em Deus quando ele diz que é o Criador, Salvador, Redentor, Professor, Deus e Santificador. É morrer, deixar morrer a nossa necessidade de pensar que somos pessoas direitas e boas.
Falamos sobre uma relação de amor. Não que nós amamos a Deus, mas que Ele nos amou primeiro (1 João 4.10). Deus nos ama não pelo que nós temos ou somos, ou pelo que fizemos, ou pela nossa reputação, ou por causa de nossa aparência, ou por qualquer outra característica que nós temos, mas pura e simplesmente por causa do seu AMOR.
Estejamos muito certos sobre isto: Deus perdoa todos os nossos pecados – do passado, presente e futuro-; ele não os conta (João 3.17). Jesus morreu por nós enquanto nós ainda éramos pecadores (Romanos 5.8). Ele é a propiciação pelos nossos pecados (1 João 2.2).
Arrependimento, portanto, não é um modo de conseguir que Deus faça o que ele já fez. Ao contrário, é acreditar que Ele salvou nossa vida para sempre e nos deu uma herança eterna inestimável.

Não significa que nós estaremos moralmente perfeitos
Significa que valorizamos Jesus Cristo e pomos nossa confiança e esperança na palavra Dele e nas boas notícias Dele, na declaração Dele a respeito de nossa redenção, perdão, ressurreição e herança eterna, em vez de pensar em nós mesmos. Quando confiamos em Deus para o perdão e a salvação, nós nos arrependemos. Arrependimento para Deus é uma mudança radical na maneira de pensar e afeta toda a nossa vida. Arrependimento não é uma mudança de imperfeição moral para perfeição moral, pois somos incapazes disso.
Arrependimento está em aceitar o fato de que nós estávamos mortos espiritualmente, mas que recebemos de Deus a ressurreição espiritual em Cristo Jesus (Efésios 2.5: “e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos,).
Arrependimento, como podemos perceber, não está em produzir algum trabalho bom e nobre ou em declamar algum discurso carregado de emoção projetado para motivar a Deus conceder o perdão. Estarmos mortos significa que não há nada, absolutamente nada, que possamos fazer ou deixar de fazer para ressuscitarmos espiritualmente. É uma questão simples de acreditar nas notícias boas de Deus de perdão e redenção em Cristo, pelos quais ele ressuscita o morto espiritual.
Arrependimento significa enfrentar o fato de que “não somos bons", de que nós não somos melhor que qualquer outra pessoa. Nós estamos na mesma linha de sopa com todos os outros perdedores para clemência que nós não merecemos. Em outras palavras, arrependimento emerge de um espírito humilhado. Esse humilhado espírito é um que não tem nenhuma confiança no que pode fazer; não tem nenhuma esperança em si mesmo, mas somente no sacrifício salvador de Cristo.
Arrependimento é nossa declaração de "Sim!” para Deus. Está em receber o presente da salvação, em aceitar a declaração de Deus sobre nossa inocência e salvação em Cristo Jesus.
Fé e arrependimento vão de mãos dadas. Quando pomos nossa confiança em Deus, duas coisas acontecem imediatamente. Primeiro, percebemos que somos pecadores e que precisamos da clemência de Deus. Segundo, decidimos confiar Nele para salvar e resgatar nossas vidas. Em outras palavras, quando confiamos em Deus, ocorre o arrependimento. Em Atos 2.38, por exemplo, Pedro falou para a multidão: "Arrependam-se e sejam batizados, cada um de vós, no nome de Jesus Cristo para o perdão de seus pecados. E vocês receberão o presente do Espírito Santo”. Fé é parte e parcela do arrependimento. Dizendo "se arrependam", Pedro também estava dizendo "acredite" ou "confie." Na história, Pedro põe isto deste modo: "Se arrependa e se converta a Deus....”
Esta conversão para Deus é uma conversão que nos afasta como centro das atenções.
Em nome de Jesus, o Salvador, amém.

Por Grimaldo Schumacker.

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